13 reasons why - Perdi dinheiro no Tesouro Direto, cuidado com as armadilhas

quarta-feira, 10 de maio de 2017

13 reasons why - Perdi dinheiro no Tesouro Direto, cuidado com as armadilhas

13 reasons why - Os 13 porquês de eu ter perdido dinheiro no Tesouro Direto.


Nos primórdios de minha vida de investidor, ficava aflito vendo aquele dinheiro parado na poupança. Do outro lado da cerca havia o tesouro direto, mais seguro, mais rentável, mais tudo. Exigindo pouco para se iniciar uma aplicação e pouco também para os aportes seguintes.


Tesouro Direto Perda de Rentabilidade

Parti com tudo e… bom, divido aqui os 13 porquês de eu ter perdido dinheiro com o Tesouro Direto.

  

São memórias póstumas de rendimentos ceifados pelas armadilhas e percalços sempre à espreita de todo investidor iniciante e desavisado.



Deixando o melodrama de lado, vamos ao que interessa.


Eu perdi dinheiro no Tesouro Direto porque:



1- Não chequei os custos de corretagem.

Iniciei minhas aplicações no tesouro direto pelo Banco do Brasil. O BB era o simpático banco do salário e da poupança. Na época, ele ainda tinha agência em todo lado, o que parecia ser importante.

Depois descobri que ele e outros grandes bancos, como o Itaú e o Bradesco, cobram taxas de administração sobre os investimentos em TD, que acabam por corroer boa parte da rentabilidade dos títulos.  Vim a saber também que hoje em dia existem corretoras independentes que não cobram taxas em aplicações de renda fixa.



Uma estimativa do quanto se perde com essas taxas dos bancões e sobre como mudar essa situação você encontra aqui.

Clique aqui e veja como escolher uma corretora para investir no Tesouro Direto.



2- Resgatei títulos sem me atentar para os períodos das aplicações, ignorando o onipresente IR.  

Tempos em que me descuidei em não verificar o período da aplicação, realizando resgate que poderiam ter sido postergados para se pegar uma taxa menor do IR.



Era só ter me lembrado que o Imposto de Renda incide sobre o rendimento dos títulos do Tesouro Direto de forma regressiva, chegando a 15% após dois anos:


Alíquota     Tempo
22,5%        Até 180 dias
20%           De 181 dias até 360 dias
17,5%        De 361 dias até 720 dias
15%           Acima de 720 dias.



3- Não me atentei para o Imposto Sobre Operações Financeiras.
Tempos atrás, a sigla IOF para mim mais parecia ser algum laboratório químico.

Pois bem, resgatei um título do Tesouro antes de 30 dias de aplicação e vi o então laboratório químico IOF detonar sem piedade o pequeno rendimento obtido.
Agora sei como o tal IOF morde o rendimento do título:  O resgate no primeiro dia de investimento acarretaria uma cobrança de IOF equivalente a 96% do rendimento.  
O IOF vai regredindo de modo que uma retirada no dia 29 da aplicação significaria pagar um imposto de 3% sobre a rentabilidade.  A partir do trigésimo dia, já estamos livres do sinistro IOF.

4- Não fazia idéia do risco da marcação a mercado.

Agora sei que, à exceção do Tesouro Selic, que sempre tem variação de rendimento positiva, o valor dos demais títulos públicos são atualizados conforme os preços em que os mesmos estão sendo negociados no mercado secundário. Essa é a tal marcação a mercado.

Às vezes essa variação é positiva, às vezes é negativa. Carregando o título até o seu vencimento, você tem a garantia de ser remunerado conforme o estabelecido no momento da aquisição do mesmo.  

Porém, tive que vender os títulos antes, no momento em que estes estavam desvalorizados em relação ao preço de suas compras. Resumindo, "tomei prejuízo".

6- Pensava que existia um título melhor que os outros e que deveria comprar exclusivamente esse camisa 10 dos títulos.
Estudando um pouco, pude perceber que não existe título melhor ou pior que outro, o que existem são títulos mais adequados que outros em função das necessidades e objetivos do investidor.

De forma geral, o Tesouro Selic, por não sofrer a marcação a mercado, é mais adequado para compor uma reserva de emergência, aquele fundo de investimento com liquidez para endereçar situações inesperadas.  

Tesouro pré-fixados são interessantes para o médio prazo, quando se imagina uma queda dos juros maior que a já precificada no título.

Tesouro IPCA+ são interessantes como investimentos de longo prazo e podem eventualmente reforçar uma aposentadoria.

Querer achar um único título adequado a todas as situações foi frustrante.

7- Não me atentei para o quanto pesava a taxa para transferir o dinheiro de minha conta corrente para a conta da corretora.
Um TED no Itaú custa R$13,50,  um TED no BB sai por R$15,00.  Tal valor inviabiliza pequenos aportes no Tesouro Direto.  Não há como investir 100 reais no Tesouro Direto pagando TED de 15 reais, o equivalente a uma taxa de rendimento negativa de 15%, sem ter prejuízo.

Solução para isso?

Conseguir uma conta digital, como essa aqui.

8- Comprei títulos públicos de olho somente na sua rentabilidade, sem atentar ao prazo de investimento.

Adquirir um título IPCA + 7,5% com vencimento em 2035, em um determinado momento pode parecer um bom investimento, mas se o investidor precisar vendê-lo em 2 anos, com a marcação a mercado ele poderá ter prejuízo, conforme a variação dos juros no período.  

Pude então perceber a importância de ter uma boa reserva de emergência, de modo que seja possível preservar os investimentos de médio e longo prazos.

9- Tentei especular com o tesouro direto sem saber bem o que estava fazendo.

Descobri depois que o que quer que fosse o que eu estivesse fazendo, eu estava fazendo errado, parecido com o que fiz com essa frase.


Como exemplo, comprei títulos prefixados com vencimento para 4 anos porque ouvi falar que os juros estavam caindo. Imaginava que faria um bom dinheiro segurando os títulos por alguns meses.  

O que eu não sabia era que a queda dos juros já estava precificada, que já estava refletida no valor do título. 



Resultado: precisei vender os títulos em três meses e perdi dinheiro.



10- Costumava deixar dinheiro dormindo na conta da corretora.
Aprendi a duras penas que o dinheiro aplicado em títulos do Tesouro está protegido, seguro pelo Tesouro Nacional. Mas não há proteção em relação ao dinheiro em sua conta na corretora. Corretora quebrou e lá fui eu para a fila dos credores.
O que fazer?
Transferiu o dinheiro para a conta da corretora? Aplique.
Recebeu dinheiro de cupons ou vencimento de títulos? Reaplique ou resgate. É possível agendar a operação pelo ambiente de algumas corretoras.

11- Adquiri títulos que antecipam o pagamento de juros semestralmente sem necessidade para tal.
Comprei títulos com pagamentos de juros semestrais simplesmente porque parecia maneiro receber esse tipo de cupom, uma graninha caindo na conta de 6 em 6 meses.

Títulos que antecipam o pagamento de juros semestrais são interessantes para aqueles que buscam uma complementação da renda sem querer se desfazer dos papéis.

Porém, o que eu não sabia é que tal antecipação no pagamento dos juros traz consigo a incidência do Imposto de Renda, fazendo com que os juros sobre juros venham a recair depois sobre um montante menor. Desta forma, se não existe a necessidade de se ter esses pagamentos semestrais de juros, o melhor é optar por outro título.

12- Achei que era impossível perder dinheiro com o Tesouro Direto.  

Subestimei a necessidade de se estudar os títulos, suas características, restrições e aplicações. Entendi de forma enviesada o mantra de que investir no Tesouro Direto era fácil e seguro, imaginando que isso significava não ser necessário algum preparo prévio.

13- Achei que podia investir no Tesouro Direto de “ouvido”.
Imaginava que para aplicar no TD era só fazer o que eu ouvia falar aqui e ali, junto com o que lia cá e acolá. Pensava que seriam informações mais que suficientes para nortear meus investimentos.

Eu simplesmente não atentava para o mais importante: as minhas necessidades e os objetivos, os quais são únicos e que devem estar no centro de qualquer estratégia de investimentos.

Erros podem se tornar excelentes aprendizados, sejam os nossos, sejam os erros de outros. Tudo em função de como os aproveitamos.

Resumo da Ópera:
1) Pense primeiro nos seus objetivos e necessidades. São os investimentos que tem que se adequar aos objetivos, e não o contrário;
2) Conheça os diferentes títulos do Tesouro, seus aspectos de rentabilidade, liquidez e prazos;
3) Mapeie os objetivos e necessidade com os títulos mais adequados;
3) Preste atenção nas taxas: IR, IOF e Transferências Bancárias;
4) Faça o que você sabe fazer, não tente operações mirabolantes se não tiver domínio para tal.


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